
Tarot · Arcano Maior III
A Imperatriz
The Empress
Palavras-chave
- fertilidade
- abundância
- cuidado
- natureza
- criação
- bloqueio criativo
- dependência
- excesso de zelo
- estagnação
- Astrologia
- ♀︎ Vênus
- Letra hebraica
- ד Daleth
Correspondências segundo a Golden Dawn, adotadas pela maioria dos estudos modernos.
A imagem
O que se vê na carta
Uma mulher majestosa reclina-se entre almofadas, num campo de trigo maduro, com um bosque e uma queda-d'água ao fundo. Usa uma coroa de doze estrelas e um vestido estampado de romãs. Ao lado, um escudo em forma de coração com o símbolo de Vênus. Waite a descreve como "o Paraíso terrestre, a mãe fecunda de milhares".
Os símbolos da Imperatriz
- O trigo. À frente da Imperatriz, um campo de trigo maduro. É a colheita, a terra que alimenta, a abundância que vem do cuidado e do tempo.
- A coroa de doze estrelas. Doze estrelas, como os doze signos do zodíaco ou os doze meses do ano. A Imperatriz governa os ciclos da natureza.
- O escudo de Vênus. Ao seu lado, um escudo em forma de coração traz o símbolo de Vênus, o planeta do amor, da beleza e da fertilidade, que a Golden Dawn atribui a esta carta.
- O vestido de romãs. As romãs estampadas no vestido repetem o véu da Sacerdotisa. Mas o que lá era mistério escondido, aqui é fruto exposto.
- A floresta e a cachoeira. Ao fundo, árvores e uma queda-d’água. A natureza é viva, úmida, em movimento.
- As almofadas. A Imperatriz não está num trono rígido como o Imperador: está reclinada entre almofadas. O conforto, o prazer, o corpo.
- O cetro com o globo. Ela governa o mundo, mas pelo cuidado e pela fecundidade, não pela força.
A mãe natureza
O número três é tradicionalmente o da criação: do encontro de dois nasce um terceiro. Depois do Mago, a vontade, e da Sacerdotisa, a intuição, a Imperatriz é aquilo que nasce do encontro dos dois: a vida que se manifesta.
Waite a descreve como “o Paraíso terrestre” e “a mãe fecunda de milhares”. É a figura da Grande Mãe que aparece em quase todas as tradições: Deméter, a deusa do trigo; Ísis; a Terra que nutre todos os seres.
Na Golden Dawn, a Imperatriz corresponde a Vênus, que rege Touro e Libra. Na Imperatriz, Vênus aparece sobretudo na sua face taurina: o prazer dos sentidos, a beleza da natureza, a fartura. Sua letra hebraica é Daleth (ד), que significa “porta”. Na Árvore da Vida, seu caminho liga as duas esferas mais altas do lado da forma e do lado da força: é a porta por onde a vida passa.
Ela forma um par com o Imperador, que vem depois. A Imperatriz faz crescer; o Imperador organiza. Leia mais em O Imperador e a Imperatriz.
A Imperatriz numa leitura
A Imperatriz fala de florescimento. Algo está crescendo: um projeto, uma relação, uma ideia, uma gravidez, uma fase de prosperidade. É uma carta de criatividade, de prazer, de conforto, de abundância, de contato com a natureza e com o corpo.
Também fala de cuidado. Pode representar uma figura materna, alguém que acolhe e nutre, ou a necessidade de você mesmo cuidar do que está crescendo, com paciência, como quem rega uma planta.
A sombra da Imperatriz é o excesso: o cuidado que sufoca, a dependência, a acomodação no conforto, a dificuldade de deixar o outro crescer sozinho. Invertida, pode indicar bloqueio criativo, falta de autocuidado, esgotamento de quem nutre todos menos a si.
Perguntas para refletir com esta carta:
- O que está crescendo na minha vida e precisa de cuidado?
- Estou me nutrindo tanto quanto nutro os outros?
- Onde posso me permitir mais prazer e menos esforço?
Registro histórico
O que Waite escreveu em 1910
- Na posição normal
- Fecundidade, ação, iniciativa, vida longa; o desconhecido, o clandestino; também dificuldade, dúvida, ignorância.
- Invertida
- Luz, verdade, o desenredar de assuntos complicados, celebrações públicas; segundo outra leitura, hesitação.
Tradução própria de The Pictorial Key to the Tarot (1910). Waite reuniu os significados da cartomancia do seu tempo, por isso fala em "consulente", "homem moreno" e coisas do tipo. As palavras-chave acima são uma leitura atual.