
Tarot · Arcano Maior XIX
O Sol
The Sun
Palavras-chave
- alegria
- vitalidade
- clareza
- sucesso
- inocência
- alegria abafada
- otimismo excessivo
- atraso
- Astrologia
- ☉︎ Sol
- Letra hebraica
- ר Resh
Correspondências segundo a Golden Dawn, adotadas pela maioria dos estudos modernos.
A imagem
O que se vê na carta
Uma criança nua, com coroa de flores, monta um cavalo branco e carrega um grande estandarte vermelho. Atrás, um muro e girassóis; acima, um sol radiante com rosto. Para Waite, é a passagem "da luz deste mundo à luz do mundo que vem".
Os símbolos do Sol
- O sol. No alto, um grande sol com rosto sereno, com raios alternados, retos e ondulados. É o mesmo astro que brilhava atrás do Louco, agora no centro de tudo.
- A criança. Montada num cavalo branco, uma criança nua, com uma coroa de flores e uma pena vermelha. Abre os braços sem medo. Waite escreve que a luz do mundo que vem “é simbolizada pelo coração de uma criança”.
- O cavalo branco. Sem sela e sem rédeas, o cavalo é conduzido sem esforço. A força instintiva está em harmonia com a inocência.
- O estandarte vermelho. A criança segura um grande estandarte vermelho, que ondula ao vento: vida, vitalidade, alegria.
- Os girassóis. Atrás, um muro de pedra cinza e girassóis voltados para a criança e para quem olha a carta. O girassol segue o sol: é a vida que se orienta pela luz.
- O muro. O muro marca o jardim da infância, protegido. Waite fala da criança que sai do “jardim murado da vida sensível” a caminho de casa.
O Sol e a criança
No Tarot de Marselha, a carta XIX mostra duas crianças diante de um muro, de mãos dadas, sob um grande sol que derrama gotas. Muitos as identificavam com os gêmeos Castor e Pólux, ou com a amizade e a fraternidade.
Waite comenta que “a melhor simbologia” para esta carta é a de uma criança nua sobre um cavalo branco, com um estandarte vermelho, e foi essa a imagem que Pamela Colman Smith desenhou. A dualidade das duas crianças virou unidade: uma só criança, inteira, em paz consigo.
Na Golden Dawn, a carta corresponde ao próprio Sol, o astro da vida, da identidade e da vitalidade, regente de Leão. A letra hebraica é Resh (ר), que significa “cabeça” ou “rosto”: o rosto que se mostra por inteiro à luz.
Na jornada do Louco, o Sol vem depois da noite da Lua. É a clareza depois da confusão, a alegria depois do medo. E há um eco bonito com o começo da jornada: o Louco também caminhava sob o sol, de roupa colorida e cheio de expectativa. Agora a inocência voltou, mas é uma inocência que atravessou tudo.
O Sol numa leitura
O Sol é uma das cartas mais luminosas do tarot. Fala de alegria, sucesso, saúde, vitalidade, otimismo, clareza. As coisas ficam evidentes, os problemas se resolvem, a vida se mostra generosa. Waite registra “felicidade material, casamento feliz, contentamento”.
Também fala de autenticidade e de inocência: ser como se é, sem medo, como a criança nua no cavalo. Pode indicar uma fase de expansão, um reconhecimento, uma conquista, o nascimento de uma criança, férias, celebração.
Mesmo em leituras difíceis, o Sol costuma trazer uma luz: a garantia de que há saída e de que as coisas vão clarear.
A sombra do Sol é rara, mas existe: o otimismo excessivo, a vaidade, o brilho que ofusca os outros. Invertido, Waite diz que significa “o mesmo, em grau menor”: a alegria está lá, mas um pouco abafada, atrasada ou menos intensa.
Perguntas para refletir com esta carta:
- O que me traz alegria verdadeira?
- Onde posso me mostrar como sou, sem medo?
- O que ficou claro para mim agora?
Registro histórico
O que Waite escreveu em 1910
- Na posição normal
- Felicidade material, casamento feliz, contentamento.
- Invertida
- O mesmo, em grau menor.
Tradução própria de The Pictorial Key to the Tarot (1910). Waite reuniu os significados da cartomancia do seu tempo, por isso fala em "consulente", "homem moreno" e coisas do tipo. As palavras-chave acima são uma leitura atual.