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terça-feira, 6 de outubro de 2026Lua Minguante
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Saberes antigos, prática de hoje

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Cabala

Alfabetos mágicos

Para a Cabala, as letras não são só sinais: são as forças com que o mundo foi feito. Por isso os magos do Renascimento quiseram ter as suas próprias escritas, reservadas aos nomes sagrados.

Quase todos estes alfabetos copiam a ordem do hebraico, letra por letra. Usá-los era um modo de proteger um nome divino ou angélico, de marcar um talismã como objeto sagrado e de manter o trabalho longe dos curiosos.

  1. Hebraico

    Quando
    Escrita quadrada, adotada depois do exílio na Babilônia (séc. VI a.C.)
    Letras
    22 letras, mais 5 formas finais
    Fonte
    A Bíblia hebraica e toda a literatura judaica

    É o alfabeto da Cabala. Escreve-se da direita para a esquerda, só com consoantes; as vogais vieram depois, como pontinhos. Cada letra é também um número, e por isso cada palavra tem um valor. Todos os outros alfabetos desta página, menos as runas, foram pensados como espelhos dele.

    O alfabeto interativo e a gematria →
  2. Escrita Celeste

    Quando
    1533
    Letras
    22 letras
    Fonte
    Cornélio Agrippa, Filosofia Oculta, livro III

    Agrippa diz que estas letras foram tiradas das figuras formadas pelas estrelas, ligadas por linhas como constelações. Cada letra é feita de traços que terminam em pequenos círculos. Corresponde letra por letra ao hebraico e era usada para escrever nomes divinos e angélicos em talismãs.

  3. Malachim

    Quando
    1533
    Letras
    22 letras
    Fonte
    Cornélio Agrippa, Filosofia Oculta, livro III

    O nome quer dizer "reis" ou "anjos" em hebraico. Parecido com a Escrita Celeste, com traços e círculos, serviu como escrita própria dos anjos nos selos e nos amuletos. Ainda aparece em rituais de ordens herméticas.

  4. Passagem do Rio

    Quando
    1533
    Letras
    22 letras
    Fonte
    Cornélio Agrippa, Filosofia Oculta, livro III

    Em latim, Transitus Fluvii. O nome lembra uma travessia, que alguns autores ligam à passagem dos hebreus pelo rio Eufrates, vindos da Mesopotâmia. É mais um espelho do hebraico, usado sobretudo para escrever palavras de poder.

  5. Tebano

    Quando
    1518
    Letras
    Uma para cada letra do alfabeto latino da época
    Fonte
    Johannes Trithemius, Polygraphia

    Trithemius o atribuiu a Honório de Tebas, um mago lendário. Diferente dos anteriores, segue o alfabeto latino, não o hebraico. Agrippa o reproduziu, e no século XX ele foi adotado pela Wicca, que o chama de "alfabeto das bruxas". É usado para escrever nomes em velas, ferramentas e diários mágicos.

    Bruxaria e Wicca →
  6. Runas

    Quando
    Séculos II a VIII, entre os povos germânicos
    Letras
    24 no Futhark antigo
    Fonte
    Inscrições em pedra, metal e madeira; poemas rúnicos medievais

    São a única escrita desta lista que foi de uso comum: gravavam-se runas em túmulos, armas e objetos do dia a dia. O nome vem de uma palavra que quer dizer "segredo" ou "sussurro". Cada runa tem um nome e um sentido (Fehu, o gado e a riqueza; Ansuz, o deus e a palavra) e servia também para adivinhação.

    Magia nórdica e runas →
  7. Enoquiano

    Quando
    1582–1589
    Letras
    21 letras
    Fonte
    Diários de John Dee e Edward Kelley

    O matemático inglês John Dee e o vidente Edward Kelley disseram ter recebido de anjos uma língua inteira, com alfabeto, gramática e uma série de invocações, as Chaves. Escreve-se da direita para a esquerda, como o hebraico. A Golden Dawn incorporou o sistema no século XIX.

    Magia enoquiana →
  8. Alfabeto dos Magos

    Quando
    1870
    Letras
    22 letras
    Fonte
    Paul Christian, História da Magia

    Paul Christian, pseudônimo do francês Jean-Baptiste Pitois, apresentou este alfabeto como herança dos antigos sacerdotes egípcios e ligou cada letra a um arcano maior. A origem antiga não tem apoio histórico, mas o livro influenciou muito a leitura ocultista do tarot no fim do século XIX.

    Os arcanos do tarot →