Alfabetos mágicos
Para a Cabala, as letras não são só sinais: são as forças com que o mundo foi feito. Por isso os magos do Renascimento quiseram ter as suas próprias escritas, reservadas aos nomes sagrados.
Quase todos estes alfabetos copiam a ordem do hebraico, letra por letra. Usá-los era um modo de proteger um nome divino ou angélico, de marcar um talismã como objeto sagrado e de manter o trabalho longe dos curiosos.
Hebraico
- Quando
- Escrita quadrada, adotada depois do exílio na Babilônia (séc. VI a.C.)
- Letras
- 22 letras, mais 5 formas finais
- Fonte
- A Bíblia hebraica e toda a literatura judaica
É o alfabeto da Cabala. Escreve-se da direita para a esquerda, só com consoantes; as vogais vieram depois, como pontinhos. Cada letra é também um número, e por isso cada palavra tem um valor. Todos os outros alfabetos desta página, menos as runas, foram pensados como espelhos dele.
O alfabeto interativo e a gematria →Escrita Celeste
- Quando
- 1533
- Letras
- 22 letras
- Fonte
- Cornélio Agrippa, Filosofia Oculta, livro III
Agrippa diz que estas letras foram tiradas das figuras formadas pelas estrelas, ligadas por linhas como constelações. Cada letra é feita de traços que terminam em pequenos círculos. Corresponde letra por letra ao hebraico e era usada para escrever nomes divinos e angélicos em talismãs.
Malachim
- Quando
- 1533
- Letras
- 22 letras
- Fonte
- Cornélio Agrippa, Filosofia Oculta, livro III
O nome quer dizer "reis" ou "anjos" em hebraico. Parecido com a Escrita Celeste, com traços e círculos, serviu como escrita própria dos anjos nos selos e nos amuletos. Ainda aparece em rituais de ordens herméticas.
Passagem do Rio
- Quando
- 1533
- Letras
- 22 letras
- Fonte
- Cornélio Agrippa, Filosofia Oculta, livro III
Em latim, Transitus Fluvii. O nome lembra uma travessia, que alguns autores ligam à passagem dos hebreus pelo rio Eufrates, vindos da Mesopotâmia. É mais um espelho do hebraico, usado sobretudo para escrever palavras de poder.
Tebano
- Quando
- 1518
- Letras
- Uma para cada letra do alfabeto latino da época
- Fonte
- Johannes Trithemius, Polygraphia
Trithemius o atribuiu a Honório de Tebas, um mago lendário. Diferente dos anteriores, segue o alfabeto latino, não o hebraico. Agrippa o reproduziu, e no século XX ele foi adotado pela Wicca, que o chama de "alfabeto das bruxas". É usado para escrever nomes em velas, ferramentas e diários mágicos.
Bruxaria e Wicca →Runas
- Quando
- Séculos II a VIII, entre os povos germânicos
- Letras
- 24 no Futhark antigo
- Fonte
- Inscrições em pedra, metal e madeira; poemas rúnicos medievais
São a única escrita desta lista que foi de uso comum: gravavam-se runas em túmulos, armas e objetos do dia a dia. O nome vem de uma palavra que quer dizer "segredo" ou "sussurro". Cada runa tem um nome e um sentido (Fehu, o gado e a riqueza; Ansuz, o deus e a palavra) e servia também para adivinhação.
Magia nórdica e runas →Enoquiano
- Quando
- 1582–1589
- Letras
- 21 letras
- Fonte
- Diários de John Dee e Edward Kelley
O matemático inglês John Dee e o vidente Edward Kelley disseram ter recebido de anjos uma língua inteira, com alfabeto, gramática e uma série de invocações, as Chaves. Escreve-se da direita para a esquerda, como o hebraico. A Golden Dawn incorporou o sistema no século XIX.
Magia enoquiana →Alfabeto dos Magos
- Quando
- 1870
- Letras
- 22 letras
- Fonte
- Paul Christian, História da Magia
Paul Christian, pseudônimo do francês Jean-Baptiste Pitois, apresentou este alfabeto como herança dos antigos sacerdotes egípcios e ligou cada letra a um arcano maior. A origem antiga não tem apoio histórico, mas o livro influenciou muito a leitura ocultista do tarot no fim do século XIX.
Os arcanos do tarot →