Magia · Popular e xamânica
Pajelança
As práticas de cura dos pajés amazônicos e a pajelança cabocla, que mistura saberes indígenas, catolicismo popular e o culto aos encantados dos rios e das matas.
A pajelança indígena faz parte da vida religiosa e medicinal de povos com culturas próprias. Cada povo tem as suas práticas, e elas não devem ser copiadas ou comercializadas sem respeito.
O pajé
Em muitos povos indígenas do Brasil, o pajé é quem cuida da saúde do corpo e do espírito. Ele conhece as plantas da floresta, conversa com os espíritos e consegue “ver” a causa invisível das doenças. Seu instrumento mais conhecido é o maracá, o chocalho de cabaça, e uma das suas plantas de poder é o tabaco, cuja fumaça limpa e abre a visão.
Já no século XVI, cronistas europeus descreveram os pajés tupis com espanto e, quase sempre, com preconceito.
A pajelança cabocla
Na Amazônia, especialmente no Pará e no Maranhão, os saberes indígenas se misturaram ao catolicismo popular e formaram a pajelança cabocla. Nela, o pajé recebe os encantados: seres que vivem no fundo dos rios e nas matas, como a cobra grande e o boto, e que podem tanto curar quanto causar doenças.
Respeito
É importante lembrar que não existe uma única “pajelança”: cada povo tem as suas práticas, a sua língua e a sua visão do mundo. Para os povos indígenas, esses saberes fazem parte da sua identidade e da sua sobrevivência, e devem ser conhecidos com respeito, sem apropriação.
Conceitos-chave
- PajéO especialista em cura e no contato com o mundo espiritual, figura central em muitos povos indígenas.
- MaracáO chocalho feito de cabaça, instrumento sagrado do pajé.
- EncantadosSeres que vivem no fundo dos rios e nas matas, como a cobra grande e o boto, e que podem curar ou adoecer as pessoas.
- TabacoFumado em grandes cigarros, é considerado uma planta de poder, que limpa e abre a visão.
Práticas
- Rituais de cura com cantos, fumaça de tabaco e o maracá.
- Sucção e retirada do objeto ou da substância que causa a doença.
- Uso de plantas medicinais da floresta.
- Na pajelança cabocla, sessões em que os encantados se manifestam no pajé.
Mitos e equívocos
- Não existe uma "religião indígena" única: os mais de 300 povos indígenas do Brasil têm crenças e práticas muito diferentes.
Linha do tempo
- antes de 1500Os pajés são figuras centrais entre os povos tupis e muitos outros.
- séc. XVICronistas europeus, como Jean de Léry, descrevem os pajés e os seus maracás.
- séc. XXAntropólogos registram a pajelança cabocla no Pará e no Maranhão.
No Valurim
Fontes consultadas