Magia · Popular e xamânica
Xamanismo e pajelança
As práticas do xamã, que entra em transe para viajar ao mundo dos espíritos, curar e aconselhar a comunidade. No Brasil, a pajelança dos povos indígenas.
As práticas xamânicas indígenas são parte da vida religiosa e cultural de povos vivos. Respeitá-las inclui não se apropriar dos seus rituais fora do seu contexto.
O viajante entre os mundos
A palavra xamã vem do povo evenki, da Sibéria. Os antropólogos passaram a usá-la para curadores e mediadores espirituais do mundo inteiro, das estepes da Ásia às florestas das Américas. Em 1951, o historiador das religiões Mircea Eliade definiu o xamanismo como uma “técnica arcaica do êxtase”: o xamã entra em transe, viaja ao mundo dos espíritos e volta trazendo cura, conselho ou conhecimento para a comunidade.
A pajelança
No Brasil, o xamã dos povos indígenas é o pajé, palavra de origem tupi. Ele cura com cantos, com o maracá, com a fumaça do tabaco e com o conhecimento profundo das plantas da floresta. Cada povo tem a sua forma de pajelança, a sua cosmologia e os seus espíritos.
As religiões da ayahuasca
Na Amazônia, o uso ritual da ayahuasca, uma bebida feita com um cipó e uma folha, deu origem a religiões brasileiras: o Santo Daime, fundado por Raimundo Irineu Serra nos anos 1930, e a União do Vegetal, de 1961. Elas unem a herança indígena, o cristianismo popular e outras tradições.
O neoxamanismo
A partir dos anos 1980, autores como Michael Harner popularizaram nas cidades práticas inspiradas no xamanismo. Muitos povos indígenas veem com preocupação a apropriação dos seus rituais fora do seu contexto, e o respeito começa por reconhecer que essas tradições pertencem a povos vivos.
Conceitos-chave
- O xamãPalavra do povo evenki, da Sibéria, que passou a designar curadores e mediadores espirituais do mundo inteiro.
- O transeO estado alterado de consciência, alcançado por tambores, cantos, jejum ou plantas, em que o xamã viaja ao mundo dos espíritos.
- O pajéNome tupi do xamã dos povos indígenas do Brasil, que cura com cantos, o maracá, o tabaco e as plantas.
Práticas
- Cantos, tambores e maracás para entrar em transe.
- Cura com sopros, ervas e a retirada de males do corpo.
- Uso ritual de plantas, como a ayahuasca na Amazônia.
Mitos e equívocos
- Não existe um único xamanismo: a palavra reúne práticas muito diferentes de povos diferentes.
- O neoxamanismo urbano é uma criação recente, inspirada nessas tradições, e não a mesma coisa.
Linha do tempo
- anos 1930No Acre, Raimundo Irineu Serra funda o Santo Daime, religião que usa a ayahuasca.
- 1951Mircea Eliade publica O Xamanismo e as Técnicas Arcaicas do Êxtase.
- 1961Fundação da União do Vegetal, outra religião ayahuasqueira brasileira.
- 1980Michael Harner publica O Caminho do Xamã, marco do neoxamanismo.
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Fontes consultadas