Magia · Conceito
Magia negra
Mais do que uma tradição, magia negra é um rótulo: o nome dado à magia feita para prejudicar, e também uma acusação usada, ao longo da história, contra minorias e religiões perseguidas.
Esta página trata da história e do uso do termo. O Valurim não ensina nem apresenta práticas destinadas a prejudicar alguém.
Um nome que nasceu de uma confusão
Na Antiguidade, necromancia era a adivinhação por meio dos mortos, do grego nekros, morto. Na Idade Média, os copistas latinos confundiram a palavra com niger, negro, e passaram a escrever nigromantia: a “arte negra”. Daí a expressão magia negra, que acabou designando toda magia feita com a ajuda de demônios ou para causar dano.
Uma acusação
Por séculos, “magia negra” foi menos uma prática do que uma acusação. Entre os séculos XV e XVIII, a Europa viveu a caça às bruxas: dezenas de milhares de pessoas, em sua maioria mulheres pobres e idosas, foram executadas sob a acusação de pacto com o diabo e de malefícios. O Martelo das Feiticeiras, de 1486, foi o manual dos perseguidores. Os historiadores concordam que quase todas essas pessoas eram inocentes.
No Brasil, o rótulo foi usado contra as religiões de matriz africana, cujos ritos foram chamados de “magia negra” e “feitiçaria” pela polícia, pela imprensa e por grupos religiosos. Esse uso é uma forma de racismo religioso.
Branca e negra
No século XIX, popularizou-se a divisão entre magia branca, que ajuda, e magia negra, que prejudica. Muitos estudiosos e praticantes a consideram simplista: a mesma técnica pode ser usada para fins diferentes, e o que conta é a intenção. Por isso as tradições modernas costumam falar em ética, como a Rede Wicca ou a crença no retorno do que se faz.
O caminho da mão esquerda
No século XX, algumas correntes passaram a se definir pelo caminho da mão esquerda, expressão vinda do Tantra indiano: em vez de se dissolver no divino, buscam o fortalecimento do indivíduo. É o caso da Igreja de Satã, fundada por Anton LaVey em 1966, que é em geral ateia e usa Satã como símbolo de rebeldia, e não como um ser.
Conceitos-chave
- De onde vem a palavraDo latim medieval nigromantia, uma confusão de necromantia (adivinhação pelos mortos, do grego nekros) com niger, negro.
- Magia branca e magia negraUma divisão moral popular no século XIX: a magia que ajuda e a que prejudica. Muitos estudiosos a consideram simplista.
- O maleficiumO "malefício": o crime de causar dano por meios mágicos, base dos processos de bruxaria na Europa.
- O caminho da mão esquerdaExpressão que veio do Tantra indiano (vamachara) e que, no Ocidente, passou a designar correntes que valorizam o indivíduo acima das regras, como o satanismo moderno.
Na história
- Historicamente, as acusações de magia negra envolviam pactos com o diabo, feitiços de dano e necromancia.
Mitos e equívocos
- Chamar as religiões afro-brasileiras de "magia negra" é preconceito e racismo religioso.
- O satanismo moderno de Anton LaVey é, em geral, ateu: usa a figura de Satã como símbolo, e não como ser a ser cultuado.
- A maior parte das pessoas executadas por bruxaria na Europa não praticava magia nenhuma: eram vítimas de acusações, medo e conflitos locais.
Linha do tempo
- séc. XII–XIIIO termo nigromantia aparece nos textos latinos, associado à evocação de demônios.
- 1486Publicação do Martelo das Feiticeiras (Malleus Maleficarum), manual de caça às bruxas.
- séc. XV–XVIIINa Europa, dezenas de milhares de pessoas, em sua maioria mulheres, são executadas sob acusação de bruxaria.
- 1966Anton LaVey funda nos Estados Unidos a Igreja de Satã.
No Valurim
Fontes consultadas