Magia · Matriz africana
Candomblé
Religião de matriz africana formada no Brasil, que cultua os orixás, voduns e inquices trazidos por africanos escravizados. Tem no axé, a força vital, o seu centro.
O Candomblé é uma religião. Quem o pratica não o chama de magia. Ele está nesta seção porque os seus rituais costumam ser descritos assim pelo público, e porque é importante explicá-los com respeito e sem preconceito.
Uma religião de resistência
O Candomblé foi formado no Brasil por africanos escravizados e seus descendentes, que recriaram aqui o culto às suas divindades: os orixás dos iorubás, os voduns dos fons e os inquices dos povos bantos. Proibido e perseguido por muito tempo, sobreviveu nos terreiros, que se tornaram centros religiosos, de memória e de resistência da cultura negra.
Um dos mais antigos é a Casa Branca do Engenho Velho, em Salvador, fundada por volta de 1830 e tombada como patrimônio nacional em 1984.
O axé
O centro do Candomblé é o axé, a força vital que está em tudo o que existe: nas pessoas, nas pedras, nas plantas, nos alimentos. Os rituais existem para renovar e fazer circular essa força entre os orixás, a natureza e a comunidade. Cada orixá está ligado a um elemento da natureza: Iemanjá ao mar, Oxum aos rios, Xangô ao trovão e à justiça, Ogum ao ferro e aos caminhos.
Os ritos
O que o público chama de “magia” do Candomblé são os ritos de uma religião complexa: as festas públicas, com atabaques e danças em que os orixás se manifestam; a iniciação, com um longo período de aprendizado no terreiro; os ebós, oferendas para restabelecer o equilíbrio; e o jogo de búzios, pelo qual a mãe ou o pai de santo consulta os orixás. As folhas sagradas estão em quase tudo: “sem folha não há orixá”.
Contra a intolerância
O Candomblé ainda é alvo de racismo religioso, de ataques a terreiros e de estereótipos, como o de chamar os seus ritos de “magia negra”. O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, 21 de janeiro, lembra Mãe Gilda, ialorixá de Salvador que morreu em 2000, depois de ataques ao seu terreiro.
Conceitos-chave
- AxéA força vital e sagrada presente em todas as coisas, que os ritos renovam e fazem circular.
- As naçõesAs grandes vertentes do Candomblé: Ketu (de origem iorubá), Jeje (fon) e Angola (banto), cada uma com língua e divindades próprias.
- EbóA oferenda feita aos orixás para restabelecer o equilíbrio e pedir proteção.
- O jogo de búziosO oráculo pelo qual a mãe ou o pai de santo consulta os orixás.
- As folhas"Sem folha não há orixá", diz um ditado iorubá. As plantas, guardadas pelo orixá Ossaim, estão em quase todos os ritos.
Práticas
- Festas públicas (xirês), com cantos, toques de atabaque e danças dos orixás.
- Iniciação longa e cuidadosa, com período de recolhimento no terreiro.
- Oferendas de alimentos e de folhas aos orixás.
- Consulta aos orixás pelo jogo de búzios.
Mitos e equívocos
- Exu é o mensageiro entre os humanos e os orixás, e não o diabo cristão; essa identificação foi criada pelo preconceito colonial.
- O Candomblé não é "magia negra". Chamar assim uma religião de origem africana é uma forma de racismo religioso.
Linha do tempo
- séc. XVI–XIXAfricanos escravizados trazem ao Brasil o culto aos orixás, voduns e inquices.
- c. 1830Fundação, em Salvador, do terreiro da Casa Branca do Engenho Velho (Ilê Axé Iyá Nassô Oká).
- 1984A Casa Branca é tombada pelo IPHAN, primeiro templo de matriz africana reconhecido como patrimônio nacional.
- 2007A Lei 11.635 cria o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, 21 de janeiro, em memória de Mãe Gilda, de Salvador.
No Valurim
Fontes consultadas