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Magia · Matriz africana

Quimbanda

Religião brasileira que trabalha diretamente com os Exus e as Pombagiras, entidades dos caminhos, das ruas e das encruzilhadas. É ligada à Umbanda, mas tem fundamentos próprios.

A Quimbanda é uma religião e sofre muito preconceito. Ela costuma ser chamada injustamente de "magia negra", e Exu é confundido com o diabo cristão, o que não corresponde ao que os seus praticantes acreditam.

Os senhores dos caminhos

A Quimbanda é uma religião brasileira dedicada aos Exus e às Pombagiras. Na Umbanda, essas entidades formam a chamada “linha da esquerda”, que protege o terreiro e trabalha nos caminhos. Na Quimbanda, elas ocupam o centro do culto.

Na tradição, Exus e Pombagiras são em geral espíritos de pessoas que viveram intensamente: malandros, boêmios, mulheres livres, gente da rua. Por conhecerem a vida humana por dentro, com as suas falhas e desejos, eles seriam capazes de ajudar nos problemas mais concretos: dinheiro, trabalho, amor, proteção, justiça.

As Pombagiras

As Pombagiras são das figuras mais marcantes da religiosidade brasileira. São espíritos de mulheres fortes, sedutoras e independentes, que defendem quem as procura, sobretudo outras mulheres. Maria Padilha, ligada à lenda de uma amante de um rei de Castela, e a Pombagira Cigana estão entre as mais conhecidas.

Preconceito

Poucas religiões foram tão estigmatizadas. A palavra “quimbanda” virou, para muitos, sinônimo de “magia negra”, e Exu foi confundido com o diabo cristão. Para os praticantes, isso é um erro: Exu é um guardião, um mensageiro e um trabalhador dos caminhos. Como em qualquer religião, há pessoas que usam os rituais de forma ética e outras não, mas julgar a religião inteira pelo estereótipo é preconceito.

Conceitos-chave

  • ExuNa Quimbanda, não é o orixá africano, mas um espírito, muitas vezes de alguém que viveu na Terra, que trabalha nos caminhos e nas encruzilhadas. Há muitos: Exu Tranca-Rua, Exu Caveira, Exu Sete Encruzilhadas.
  • PombagiraA forma feminina de Exu: espíritos de mulheres livres e fortes, ligadas ao amor, ao desejo e à defesa das mulheres. Maria Padilha é a mais conhecida.
  • ReinosOs domínios onde as entidades trabalham: as encruzilhadas, o cemitério, as matas, a praia, as almas.
  • EsquerdaNos terreiros de Umbanda, a "linha da esquerda" é a dos Exus e Pombagiras; a Quimbanda é dedicada a ela.

Práticas

  • Giras em que os médiuns recebem Exus e Pombagiras, que conversam, bebem, fumam e aconselham.
  • Oferendas nas encruzilhadas com velas, bebidas, charutos, cigarrilhas e flores.
  • Trabalhos para abrir caminhos, proteger, resolver problemas de amor e de dinheiro.
  • Pontos riscados e cantados de cada entidade.

Mitos e equívocos

  • Exu e Pombagira não são o diabo: essa associação nasceu do olhar cristão e colonial sobre as religiões africanas.
  • Nem todo trabalho de Quimbanda é para prejudicar alguém; a maioria busca proteção, cura e abertura de caminhos.

Linha do tempo

  1. início do séc. XXCronistas do Rio de Janeiro já falam de cultos de "quimbanda", em geral com preconceito.
  2. meados do séc. XXA Umbanda organizada distingue a sua "linha da esquerda" dos Exus, e a Quimbanda se afirma como religião própria.
  3. hojeA Quimbanda tem terreiros em todo o Brasil e chegou a outros países, como Argentina, Uruguai e Portugal.

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Fontes consultadas