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Magia · Matriz africana

Vodu haitiano

A religião do Haiti, nascida entre os africanos escravizados, que serve aos lwa, espíritos ligados a Deus. Seus desenhos rituais, os vèvè, e as suas cerimônias com tambores estão entre as expressões mais ricas da cultura afro-americana.

O vodu é uma religião, reconhecida oficialmente no Haiti em 2003. A imagem dos bonecos espetados com alfinetes e dos zumbis vem sobretudo do cinema e não representa a religião.

A religião do Haiti

O vodu nasceu no século XVIII, na colônia francesa de São Domingos, hoje Haiti. Africanos escravizados, vindos sobretudo do antigo Daomé (atual Benin) e do Congo, juntaram as suas tradições e criaram uma religião comum, que também absorveu elementos do catolicismo. A palavra vem de vodun, que na língua fon quer dizer “espírito”.

No vodu, Deus, o Bondye, é grande e distante. Quem participa da vida das pessoas são os lwa, espíritos com personalidades bem marcadas, que se manifestam nos fiéis durante as cerimônias, ao som dos tambores.

Os vèvè

Uma das expressões mais belas do vodu são os vèvè: desenhos simétricos traçados no chão com farinha, fubá ou cinza no começo das cerimônias. Cada lwa tem o seu: um coração para Ezili Freda, uma cruz para Papa Legba. Eles lembram os pontos riscados da Umbanda.

Liberdade e preconceito

O vodu está ligado à história da liberdade no Haiti. Segundo a tradição, uma cerimônia em Bois Caïman, em 1791, deu início à revolta de escravizados que tornou o Haiti, em 1804, o primeiro país das Américas a abolir a escravidão.

Mesmo assim, poucas religiões foram tão caricaturadas. Os filmes de terror espalharam a imagem de bonecos com alfinetes e de mortos-vivos. Para os haitianos, o vodu é uma religião de cura, comunidade e memória.

Conceitos-chave

  • LwaOs espíritos servidos no vodu, como Papa Legba, que abre as portas, Ezili Freda, do amor, Ogou, do ferro e da guerra, e os Gede, da morte e do riso.
  • VèvèDesenhos traçados no chão com farinha ou fubá, cada um a assinatura de um lwa, para chamá-lo à cerimônia.
  • Houngan e manboO sacerdote e a sacerdotisa do vodu, que dirigem as cerimônias e cuidam da comunidade.
  • BondyeO Deus supremo, do francês bon Dieu, distante dos assuntos humanos.

Práticas

  • Cerimônias com tambores, cantos e danças, em que os lwa "montam" os fiéis, isto é, se manifestam neles.
  • Oferendas de comida, bebida e objetos preferidos de cada lwa.
  • Curas com ervas e banhos.
  • Festas do calendário, que muitas vezes coincidem com as dos santos católicos.

Mitos e equívocos

  • Os bonecos de alfinetes ficaram famosos por causa de filmes e de lojas para turistas, sobretudo em Nova Orleans; não são o centro da religião.
  • O vodu não é culto ao diabo: os seus praticantes, em geral, também se consideram católicos.

Linha do tempo

  1. séc. XVIIINa colônia francesa de São Domingos, africanos de muitas origens formam uma religião comum.
  2. 1791Segundo a tradição, uma cerimônia em Bois Caïman marca o início da revolta que levou à independência do Haiti em 1804.
  3. séc. XIXEm Nova Orleans, Marie Laveau se torna a mais famosa sacerdotisa do vodu da Louisiana.
  4. 2003O governo haitiano reconhece o vodu como religião oficial, ao lado do catolicismo.

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Fontes consultadas