Magia · Antiguidade
Magia da Mesopotâmia
A magia dos sumérios, babilônios e assírios, registrada em tabuinhas de argila: exorcismos contra demônios, rituais para desfazer feitiços e amuletos de proteção, sempre sob a autoridade dos deuses.
Tabuinhas contra demônios
Na Mesopotâmia, a terra entre os rios Tigre e Eufrates, o mal tinha causas conhecidas: demônios, feiticeiros ou a raiva de um deus ofendido. Para cada uma havia um especialista e um ritual. Esses rituais foram escritos em tabuinhas de argila, e milhares delas chegaram até nós.
O principal especialista era o āšipu, o exorcista. Ele examinava o doente, identificava a causa do mal e recitava encantamentos que, em geral, se apresentavam como palavras do deus Ea, senhor das águas e da sabedoria. A magia era sempre um pedido feito com autoridade divina.
Queimar o feiticeiro
O ritual mais famoso é o Maqlû, “queima”. Durante uma noite inteira, o exorcista fazia figurinhas dos feiticeiros desconhecidos e as queimava, pedindo aos deuses do fogo e do julgamento que devolvessem o mal a quem o tinha mandado. Ninguém era queimado de verdade: era a imagem que ardia.
Presságios
Os mesopotâmicos liam sinais em tudo: no céu, no fígado dos animais sacrificados, no voo dos pássaros. Quando um presságio anunciava desgraça, havia rituais, os namburbi, para desviá-la. Os registros dos presságios celestes estão entre as raízes da astrologia que estudamos até hoje.
Conceitos-chave
- ĀšipuO exorcista, sacerdote especializado em diagnosticar a origem do mal e recitar os rituais de cura e proteção.
- Maqlû"Queima": uma longa série de rituais noturnos em que se queimavam figurinhas dos feiticeiros para anular os seus feitiços.
- NamburbiRituais para afastar o mal anunciado por um presságio, como um animal que nasceu deformado.
- PazuzuUm demônio dos ventos que, curiosamente, era usado em amuletos para proteger grávidas e bebês contra outra demônia, Lamaštu.
Práticas
- Recitação de encantamentos em sumério e acadiano, muitas vezes atribuídos ao próprio deus Ea, senhor da sabedoria.
- Queima ou destruição de figuras de cera, barro ou farinha que representavam o inimigo ou o demônio.
- Amuletos e placas de proteção pendurados nas casas.
- Leitura de presságios no céu, no fígado de animais sacrificados e em acontecimentos do dia a dia.
Mitos e equívocos
- Não havia separação entre magia, medicina e religião: o exorcista e o médico muitas vezes trabalhavam juntos no mesmo doente.
Linha do tempo
- c. 2500 a.C.Primeiros encantamentos escritos em sumério.
- séc. VII a.C.O rei assírio Assurbanipal reúne em Nínive uma biblioteca com milhares de tabuinhas, muitas de magia e presságios.
- séc. VII a.C.Os presságios celestes da série Enuma Anu Enlil estão entre as raízes da astrologia.
No Valurim
Fontes consultadas