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Magia · Antiguidade

Magia egípcia

Para os egípcios, a magia (heka) era uma força criada pelos deuses no início do mundo e dada aos humanos para se defenderem dos males.

Uma força dos deuses

No Egito antigo, a magia tinha nome e rosto: Heka, a força que os deuses usaram para criar o mundo, personificada num deus do mesmo nome. Segundo um texto antigo, o criador a deu aos humanos “como arma para afastar os golpes do destino”. Por isso a magia não era vista como algo contra a religião: era parte dela, e os maiores magos eram os sacerdotes.

O poder da palavra

O centro da magia egípcia é a palavra. Dizer a fórmula certa, com o nome certo, tinha efeito real. Escrever também: hieróglifos de proteção cobriam paredes de túmulos, sarcófagos e amuletos. Conhecer o nome secreto de um deus era ter acesso ao seu poder, como conta o mito em que Ísis obriga Rá a revelar o dele.

Do templo ao túmulo

A magia acompanhava toda a vida: fórmulas contra cobras e escorpiões, amuletos para o parto, proteção para as crianças. E acompanhava a morte. Os Textos das Pirâmides e, depois, o Livro dos Mortos reuniam as palavras que guiariam a alma pelo mundo dos mortos até o julgamento diante de Osíris, onde o coração era pesado contra a pena da verdade.

A herança

No Egito romano, os papiros mágicos greco-egípcios misturaram deuses egípcios e gregos, nomes hebraicos e anjos. Essas coletâneas são uma das fontes dos grimórios medievais e renascentistas, e o Egito ficou, para sempre, como a terra imaginária da magia no Ocidente.

Conceitos-chave

  • HekaA força mágica e, ao mesmo tempo, o deus que a personifica. Não era proibida: fazia parte da religião oficial.
  • O nome (ren)Conhecer o nome verdadeiro de um deus ou de um ser era ter poder sobre ele.
  • AmuletosO olho de Hórus (udjat), o escaravelho, o ankh: objetos de proteção usados em vida e postos com os mortos.
  • Os papiros mágicosColetâneas em grego, demótico e copta, do Egito romano, que misturam deuses egípcios, gregos, judaicos e anjos.

Práticas

  • Fórmulas recitadas para curar picadas de escorpião e mordidas de cobra.
  • Amuletos e inscrições de proteção nas casas, nos túmulos e no corpo.
  • Textos funerários que guiavam o morto pelo além.
  • Rituais diários nos templos para manter a ordem do mundo (maat).

Mitos e equívocos

  • A magia egípcia não era uma prática escondida ou marginal: os sacerdotes eram os grandes magos.
  • Os "feitiços" do Livro dos Mortos não são maldições, e sim orações e senhas para a viagem da alma.

Linha do tempo

  1. c. 2400 a.C.Textos das Pirâmides, as fórmulas religiosas mais antigas do Egito.
  2. c. 1550 a.C.Começa a circular o Livro dos Mortos, em rolos de papiro postos nos túmulos.
  3. séc. II a.C. – V d.C.Papiros mágicos greco-egípcios, que influenciarão os grimórios medievais.

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Fontes consultadas