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Magia · Oriental

Magia tibetana

Os rituais do budismo tibetano e da antiga religião Bön: mantras, mandalas, adagas rituais, bandeiras de oração e oráculos, a serviço da proteção e do despertar espiritual.

Montanhas cheias de espíritos

Para os antigos tibetanos, cada montanha, lago e vale tinha os seus espíritos, que podiam proteger ou causar doenças. A religião Bön, anterior ao budismo, cuidava da relação com essas forças. Quando o budismo chegou, no século VIII, a tradição conta que o mestre Padmasambhava não destruiu esses espíritos: ele os converteu, fazendo deles protetores do ensinamento.

Essa ideia marca todo o budismo tibetano: as forças perigosas não são simplesmente expulsas, mas transformadas.

Mantras, mandalas e adagas

O budismo tibetano faz parte do Vajrayana, o “veículo do diamante”, herdeiro do tantra indiano. Ele usa uma enorme variedade de técnicas: mantras, visualizações de divindades, mandalas (diagramas sagrados que representam o universo) e objetos rituais, como a phurba, a adaga de três lâminas, usada para “fixar” e transformar os obstáculos.

As bandeiras de oração coloridas, que o vento agita, e as rodas de oração, que giram rolos de mantras, espalham bênçãos sem cessar.

Proteção e despertar

Muitos rituais tibetanos servem à proteção, à cura e ao afastamento de obstáculos. Mas, no budismo, o objetivo final é sempre o despertar e a compaixão por todos os seres. Uma prática famosa, o chöd, consiste em oferecer o próprio corpo em imaginação a todos os espíritos famintos: um ritual para cortar o apego ao ego.

Conceitos-chave

  • MantraUma fórmula sagrada recitada para concentrar a mente e invocar uma qualidade; o mais famoso é Om mani padme hum, da compaixão.
  • PhurbaA adaga ritual de três lâminas, usada para "cravar" e transformar as forças que atrapalham.
  • BönA religião anterior ao budismo no Tibete, que continua viva e influenciou o budismo tibetano.
  • ChödA prática de "cortar" o apego ao próprio corpo, oferecendo-o em imaginação aos espíritos, criada pela mestra Machig Labdrön no século XI.

Práticas

  • Recitação de mantras com o rosário e as rodas de oração, que giram os textos sagrados.
  • Bandeiras de oração coloridas, que o vento espalha pelos montes.
  • Mandalas de areia, construídas por dias e desfeitas no fim, lição da impermanência.
  • Consultas a oráculos, como o Oráculo de Nechung, consultado pelo governo tibetano.

Mitos e equívocos

  • No budismo, os rituais servem sobretudo ao despertar e à compaixão, e não a obter vantagens sobre os outros.

Linha do tempo

  1. séc. VIIISegundo a tradição, o mestre indiano Padmasambhava chega ao Tibete e submete os espíritos locais, tornando-os protetores do budismo.
  2. séc. XIMachig Labdrön desenvolve a prática do chöd.
  3. 1959Com o exílio do Dalai Lama na Índia, mestres tibetanos começam a ensinar no Ocidente.

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Fontes consultadas