
A imagem
O que se vê na carta
Um ancião de manto cinza, no alto de uma montanha nevada, ergue uma lanterna com uma estrela de seis pontas dentro e se apoia num cajado. Para Waite, a lanterna diz: "onde eu estou, você também pode estar".
Os símbolos do Eremita
- O ancião. Um velho de barba branca, envolto num manto cinzento com capuz. O cinza é a cor do que não é nem preto nem branco: a sabedoria de quem já viu os dois lados.
- A lanterna. Na mão direita, ele ergue uma lanterna. Dentro dela brilha uma estrela de seis pontas, formada por dois triângulos entrelaçados: o encontro do céu e da terra. Waite comenta que a lanterna não está escondida sob o manto, como em outros baralhos. Ela é erguida para iluminar o caminho, também para os outros.
- O cajado. Na mão esquerda, um cajado longo: o apoio de quem caminha há muito tempo.
- O alto da montanha. O Eremita está no topo de um pico nevado. Já subiu. Waite diz que esta é uma carta de realização, e que a lanterna parece dizer: “onde eu estou, você também pode estar”.
- O olhar para baixo. Ele olha para baixo, para o caminho por onde veio, ou para quem ainda está subindo.
O Eremita e Virgem
Na Golden Dawn, o Eremita corresponde a Virgem, signo de terra mutável, regido por Mercúrio. A ligação faz sentido em vários níveis. Virgem é o signo que separa o essencial do supérfluo, que examina com cuidado, que aperfeiçoa. O Eremita é quem se retira do barulho do mundo para enxergar com clareza o que importa.
A figura da constelação de Virgem segura uma espiga; o Eremita segura uma lanterna. Os dois carregam algo que alimenta: o grão e a luz. E os dois trabalham em silêncio, longe do palco.
A letra hebraica é Yod (י), a menor do alfabeto, uma pequena chama. Na tradição cabalística, o Yod é a semente de todas as outras letras: tudo começa de um ponto.
Em alguns tarots antigos, a figura desta carta segurava uma ampulheta em vez de uma lanterna, e era chamada de “o Tempo” ou “o Velho”. A ampulheta virou lanterna com o passar dos séculos. O tempo e a luz interior acabaram se misturando na mesma imagem: a sabedoria que só a experiência traz.
Na jornada do Louco, o Eremita abre a parte interior do caminho. Depois das conquistas externas do Carro, é hora de olhar para dentro.
O Eremita numa leitura
O Eremita fala de recolhimento. É um momento de olhar para dentro, de se afastar do ruído, de pensar com calma, de buscar respostas que não vêm de fora. Pode indicar um período de solidão escolhida, de estudo, de meditação, de reflexão profunda.
Também pode representar um mentor: alguém mais experiente que ilumina o caminho, um professor, um terapeuta, um guia espiritual. Ou o próprio consulente no papel de quem orienta os outros.
Waite registra, entre os significados antigos, “prudência e circunspecção”. A carta pede que você não se precipite.
A sombra do Eremita é o isolamento que pesa: a fuga do convívio, a recusa de ajuda, a solidão que deixou de ser escolha. Invertido, pode indicar dificuldade de se recolher quando é preciso, ou de voltar ao mundo depois do recolhimento.
Perguntas para refletir com esta carta:
- Do que eu preciso me afastar para pensar com clareza?
- Que pergunta só eu posso responder?
- A minha solidão me fortalece ou me isola?
Registro histórico
O que Waite escreveu em 1910
- Na posição normal
- Prudência, circunspecção; também, e sobretudo, traição, dissimulação, velhacaria, corrupção.
- Invertida
- Ocultação, disfarce, política, medo, cautela sem razão.
Tradução própria de The Pictorial Key to the Tarot (1910). Waite reuniu os significados da cartomancia do seu tempo, por isso fala em "consulente", "homem moreno" e coisas do tipo. As palavras-chave acima são uma leitura atual.