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Saberes antigos, prática de hoje

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Tradições iniciáticas · Raiz hermética

Mistérios antigos

Os cultos de mistério do mundo grego e romano, como os de Elêusis, de Ísis e de Mitra, em que o iniciado vivia em segredo uma experiência de morte e renascimento.

O que era um mistério

No mundo grego e romano, além da religião pública, com seus templos e festas abertas a todos, existiam os mistérios: cultos em que só entrava quem passasse por uma iniciação. A palavra vem do grego myein, “fechar os olhos” ou “fechar a boca”, porque o iniciado não podia contar o que tinha visto. E quase ninguém contou: por isso sabemos tão pouco sobre o que acontecia lá dentro.

O que se sabe é que o iniciado vivia, no rito, uma espécie de morte e renascimento, e saía com a esperança de uma vida melhor depois da morte. O orador romano Cícero escreveu que Atenas não tinha dado ao mundo nada mais precioso que os mistérios, pelos quais se aprendia “a viver com alegria e a morrer com esperança”.

Elêusis, Ísis e Mitra

Os mais famosos eram os de Elêusis, perto de Atenas, dedicados a Deméter, a deusa do trigo, e à sua filha Perséfone, raptada para o mundo dos mortos e devolvida à mãe parte do ano. Durante quase mil anos, todo outono, milhares de pessoas faziam a procissão de Atenas até o santuário.

Do Egito veio o culto de Ísis, que se espalhou por todo o Império. O escritor Apuleio narrou, no século II, a iniciação do seu personagem Lúcio: uma descida simbólica à morte, uma noite inteira de visões e, de manhã, a apresentação ao povo vestido como o Sol.

Os mistérios de Mitra, deus de origem persa, reuniam apenas homens, sobretudo soldados, em templos subterrâneos que imitavam uma caverna. Eram organizados em sete graus, cada um ligado a um planeta: um modelo que lembra muito as ordens iniciáticas modernas.

A herança

Quando a maçonaria, os rosacruzes e a Golden Dawn criaram os seus graus, olhavam para os mistérios antigos como modelo. Muitas ordens ainda hoje usam a imagem do iniciado que “morre” para a vida antiga e “renasce” para uma nova.

Símbolos

  • A espiga de trigoEm Elêusis, segundo um autor cristão do século III, o ponto alto da iniciação era mostrar em silêncio uma espiga ceifada: a vida que morre e volta.
  • A tochaDeméter procurou a filha Perséfone com tochas acesas; os iniciados faziam o mesmo caminho à noite.
  • O sistroO chocalho de metal usado nos ritos de Ísis.
  • O touroNos templos de Mitra, a cena central mostrava o deus sacrificando um touro, de cujo sangue nascia a vida.
Figura interativaA estrutura de grausToque num degrau para ver o que ele representa.

Os sete graus dos mistérios de Mitra, cada um sob a proteção de um planeta, conhecidos por inscrições e mosaicos, como os de Óstia.

Linha do tempo

  1. séc. VII a.C.O Hino Homérico a Deméter conta o mito que dá origem aos mistérios de Elêusis.
  2. séc. IV a.C.Lâminas de ouro enterradas com iniciados órficos ensinam à alma o caminho no mundo dos mortos.
  3. séc. I a IVOs mistérios de Mitra se espalham entre os soldados romanos, em templos subterrâneos.
  4. c. 170Apuleio descreve, no Asno de Ouro, a iniciação de um homem nos mistérios de Ísis.
  5. 392O imperador Teodósio proíbe os cultos pagãos. Poucos anos depois, o santuário de Elêusis é destruído.

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Fontes consultadas