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Magia · Ocidental moderna

Stregheria e a magia popular italiana

A bruxaria e as rezas de cura da Itália camponesa, dos benandanti do Friuli às rezadeiras contra o mau-olhado, e a sua reinvenção moderna como uma religião bruxa italiana.

A Itália das rezadeiras

Em muitas famílias italianas, inclusive entre os descendentes de imigrantes no Brasil, alguém sabe tirar o mau-olhado. O teste é simples: pingam-se gotas de azeite num prato com água. Se elas se espalham ou formam um olho, há malocchio. Então se reza, faz-se o sinal da cruz, e o azeite volta a formar gotas redondas. A reza costuma ser ensinada de mulher para mulher, às vezes só na noite de Natal.

Os benandanti

Nos arquivos da Inquisição, o historiador Carlo Ginzburg encontrou uma história extraordinária. No Friuli, no norte da Itália, camponeses nascidos “com a camisa” (envoltos na membrana do parto) diziam sair em espírito em certas noites do ano, armados com ramos de erva-doce, para lutar contra as bruxas, que vinham armadas de sorgo, e assim garantir as colheitas. Eram os benandanti, os “que andam no bem”. Os inquisidores, sem entender, acabaram tratando-os como bruxos.

Aradia e a stregheria moderna

Em 1899, o folclorista norte-americano Charles Godfrey Leland publicou Aradia, ou o Evangelho das Bruxas, que dizia ter recebido de uma bruxa de Florença: a história de Aradia, filha da deusa Diana, que teria vindo à Terra ensinar a magia aos pobres contra os seus opressores. A autenticidade do texto é discutida, mas ele influenciou muito a Wicca.

No fim do século XX, escritores como Raven Grimassi apresentaram a stregheria (“bruxaria”, em italiano) como uma religião bruxa italiana, com rituais à Deusa e ao Deus. É uma tradição moderna, que se inspira no folclore antigo.

Conceitos-chave

  • MalocchioO mau-olhado. Para descobri-lo, pingam-se gotas de azeite num prato com água e observa-se a forma que tomam.
  • BenandantiCamponeses do Friuli, nos séculos XVI e XVII, que diziam sair em espírito à noite para lutar contra as bruxas e proteger as colheitas.
  • AradiaA filha de Diana que, segundo um texto publicado por Charles Leland em 1899, teria vindo ensinar a bruxaria aos pobres.
  • CornicelloO chifrinho vermelho, amuleto italiano contra o mau-olhado.

Práticas

  • Rezas e sinais da cruz para tirar o mau-olhado, transmitidas em família, muitas vezes na noite de Natal.
  • Amuletos como o chifrinho, a mão fazendo figa e a ferradura.
  • Ervas de proteção e cura colhidas na noite de São João.
  • Na stregheria moderna, rituais à Deusa e ao Deus inspirados na Wicca.

Mitos e equívocos

  • A stregheria como religião organizada é uma criação do fim do século XX; não há prova de que tenha existido igual no passado.
  • Os benandanti se viam como inimigos das bruxas, e não como bruxos; foi a Inquisição que os confundiu.

Linha do tempo

  1. 1575 a 1675Processos da Inquisição no Friuli registram os relatos dos benandanti.
  2. 1899Charles Godfrey Leland publica Aradia, ou o Evangelho das Bruxas.
  3. 1966O historiador Carlo Ginzburg publica Os Andarilhos do Bem, sobre os benandanti.
  4. anos 1980Raven Grimassi divulga a stregheria como uma tradição bruxa italiana nos Estados Unidos.

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Fontes consultadas