Magia · Ocidental moderna
Alquimia
A arte de transformar a matéria, que buscava a pedra filosofal e o elixir da vida. Foi ao mesmo tempo laboratório, filosofia e caminho espiritual, e ajudou a nascer a química.
Transformar a matéria
A alquimia procurava entender e acelerar a transformação das coisas. Os alquimistas acreditavam que os metais “crescem” na terra, devagar, até chegar ao ouro, o metal perfeito. No laboratório, seria possível apressar esse processo com uma substância especial: a pedra filosofal.
A alquimia nasceu no Egito greco-romano, onde técnicas de metalurgia e tingimento se misturaram à filosofia grega e à religião. Passou ao mundo árabe, que a desenvolveu muito (a própria palavra vem do árabe al-kīmiyāʾ), e chegou à Europa no século XII.
Laboratório e linguagem secreta
Os alquimistas escreviam com símbolos para proteger os seus segredos: o rei e a rainha que se casam, o leão verde que devora o Sol, o corvo negro, a serpente que morde a cauda. A Grande Obra era descrita em fases de cor: o negro da decomposição, o branco da purificação e o vermelho da perfeição.
Do ouro ao espírito
Para muitos alquimistas, a obra no frasco era também uma obra interior: purificar a matéria e purificar a alma eram o mesmo caminho. No século XX, o psiquiatra Carl Jung leu os símbolos alquímicos como imagens do processo de amadurecimento psicológico.
A alquimia não foi só fantasia. Ela criou instrumentos e técnicas que a química herdou. Isaac Newton e Robert Boyle, pais da ciência moderna, também foram alquimistas.
Conceitos-chave
- A Grande ObraO processo de fazer a pedra filosofal, descrito em fases de cor: o negro (nigredo), o branco (albedo), às vezes o amarelo, e o vermelho (rubedo).
- Pedra filosofalA substância capaz de transformar metais comuns em ouro e, para muitos, de curar e prolongar a vida.
- Enxofre, mercúrio e salOs três princípios de Paracelso: a alma, o espírito e o corpo das coisas.
- Solve et coagula"Dissolve e coagula": separar o que está misturado e juntar de novo de forma mais pura.
Práticas
- Destilação, calcinação, dissolução e outras operações de laboratório, repetidas por meses ou anos.
- Leitura de textos cheios de símbolos e imagens, como o leão verde, o rei e a rainha e a serpente que morde a cauda.
- Preparo de remédios, na linha de Paracelso, que deu origem à química farmacêutica.
- Na leitura espiritual, a obra é a transformação interior do próprio alquimista.
Mitos e equívocos
- Isaac Newton escreveu mais sobre alquimia do que sobre física: ela não era coisa de charlatães, mas uma ciência respeitada no seu tempo.
- A leitura da alquimia como processo psicológico, feita por Carl Jung, é moderna. Os alquimistas antigos trabalhavam também com fornos e frascos de verdade.
Linha do tempo
- c. 300Zósimo de Panópolis, no Egito, escreve os textos alquímicos mais antigos com autor conhecido.
- séc. IX a XO corpo de textos atribuído a Jabir ibn Hayyan desenvolve a teoria do enxofre e do mercúrio.
- séc. XIITraduções do árabe levam a alquimia para a Europa latina.
- c. 1530Paracelso propõe os três princípios e usa a alquimia para fazer remédios.
- 1944Carl Jung publica Psicologia e Alquimia.
No Valurim
Fontes consultadas