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Magia · Judaica, cristã e islâmica

Magia cristã

Orações, salmos, bênçãos, exorcismos e grimórios cristãos. A Igreja sempre condenou a magia, mas a fronteira entre oração e magia foi, por séculos, muito disputada.

Uma fronteira disputada

O cristianismo sempre condenou a magia. Para Santo Agostinho, todo feitiço supunha um pacto com os demônios. Ao mesmo tempo, a vida cristã está cheia de palavras e objetos com poder: orações, salmos, bênçãos, relíquias, água benta. A Igreja traçou a fronteira assim: a oração pede, a magia pretende obrigar. Na prática, essa fronteira foi atravessada muitas vezes.

A magia dos clérigos

Na Idade Média, quem sabia ler latim eram, sobretudo, os clérigos. Por isso muitos grimórios foram escritos por eles: tratados que misturavam orações, nomes de Deus, anjos e cerimônias. A Ars Notoria, do século XIII, prometia conhecimento e memória por meio de orações e figuras; foi condenada, mas copiada por séculos.

Exorcismo e proteção

A Igreja manteve os seus ritos de proteção. O exorcismo foi regulamentado no Ritual Romano de 1614. Os sacramentais, como a água benta, as velas bentas e a medalha de São Bento, com a sua fórmula contra o mal, são até hoje usados para proteger casas e pessoas.

No Brasil

O catolicismo popular brasileiro herdou de Portugal uma rica tradição de rezas fortes, simpatias e livros como o Livro de São Cipriano, um grimório popular cheio de orações, receitas e histórias de tesouros encantados. Essa religiosidade vive nas benzedeiras, que têm uma página própria nesta seção.

Conceitos-chave

  • SacramentaisObjetos e gestos abençoados pela Igreja, como a água benta e a medalha de São Bento, usados para proteção.
  • O exorcismoO rito oficial de expulsão de demônios, regulado pela Igreja no Ritual Romano de 1614.
  • A Ars NotoriaUm tratado medieval de orações e figuras para obter conhecimento e memória, condenado pela Igreja.
  • O Livro de São CiprianoGrimório popular atribuído ao santo, muito difundido em Portugal e no Brasil a partir do século XIX.

Práticas

  • Orações e salmos para proteção, cura e livramento.
  • Bênçãos de casas, campos e objetos.
  • Uso de relíquias, medalhas, escapulários e água benta.
  • Rituais dos grimórios cristãos medievais, com nomes de Deus e de anjos.

Mitos e equívocos

  • Para a Igreja, sacramentais e orações não são magia, porque não pretendem obrigar Deus: são pedidos.
  • O Livro de São Cipriano não tem relação com o bispo Cipriano de Cartago; é uma compilação popular tardia.

Linha do tempo

  1. séc. IV–VSanto Agostinho condena a magia como pacto com os demônios.
  2. séc. XIIICirculam manuscritos da Ars Notoria.
  3. 1614O Ritual Romano fixa o rito oficial do exorcismo.
  4. séc. XIXEdições populares do Livro de São Cipriano se espalham por Portugal e pelo Brasil.

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Fontes consultadas