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Saberes antigos, prática de hoje

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Magia · Judaica, cristã e islâmica

Magia cabalística

A Cabala prática: o uso dos nomes de Deus, das letras hebraicas e dos anjos em amuletos, orações e meditações. Ao lado dela, a Cabala cristã da Renascença.

A criação pela palavra

Para a Cabala, Deus criou o mundo falando, e as 22 letras do alfabeto hebraico são os tijolos da criação. Se é assim, quem conhece as letras e os nomes divinos pode, com santidade e reverência, agir sobre o mundo. Essa é a ideia da Cabala prática.

Amuletos e nomes

A forma mais difundida é o amuleto (kamea): um pergaminho ou uma placa com nomes de Deus, versículos e nomes de anjos, usado para proteger as casas, as mães no parto e as crianças pequenas. O Sefer Raziel HaMalakh, impresso em 1701, era guardado em muitas casas como proteção. O Nome de 72 letras, de onde vêm os 72 anjos, é um dos nomes usados nessas práticas.

A prudência dos mestres

Muitos cabalistas viam a prática mágica com cautela. Isaac Luria, no século XVI, desaconselhou o seu uso: sem a pureza do Templo de Jerusalém, dizia-se, o risco de errar era grande. A tradição preferiu a oração, a meditação e o estudo.

A Cabala cristã

Em 1486, o florentino Pico della Mirandola afirmou que a Cabala confirmava as verdades cristãs. Nasceu a Cabala cristã, que, com Reuchlin e Agrippa, entrou na magia renascentista e, séculos depois, no sistema da Golden Dawn. É dessa Cabala adaptada que vêm muitas correspondências usadas no esoterismo ocidental.

Conceitos-chave

  • Cabala teórica e práticaA teórica estuda Deus e a criação; a prática (Kabbalah ma'asit) usa esse saber para agir: proteger, curar, abençoar.
  • Os nomes divinosO Tetragrama YHVH, o Nome de 72 letras e outras combinações, usados com reverência em amuletos e meditações.
  • O amuleto (kamea)Pergaminhos ou placas com nomes divinos, versículos e nomes de anjos, para proteger uma casa, um parto, uma criança.
  • O golemA lenda do ser de barro animado pelas letras sagradas, ligada ao rabino Judá Loew, de Praga, no século XVI.

Práticas

  • Amuletos com nomes divinos e angélicos.
  • Meditação sobre as combinações das letras hebraicas.
  • Uso de salmos e nomes de anjos para pedir proteção.

Mitos e equívocos

  • Grandes mestres da Cabala, como Isaac Luria, desaconselhavam a prática mágica e privilegiavam a oração e o estudo.
  • A Cabala ocidental dos ocultistas (Golden Dawn) é uma adaptação cristã e hermética, diferente da tradição judaica.

Linha do tempo

  1. séc. III–VIO Sefer Yetzirá, o Livro da Formação, descreve a criação pelas 22 letras.
  2. 1486Pico della Mirandola apresenta teses que fundam a Cabala cristã.
  3. séc. XVIEm Praga, nasce a lenda do golem do rabino Judá Loew.
  4. 1701Impressão, em Amsterdã, do Sefer Raziel HaMalakh, livro de amuletos e segredos angélicos.

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Fontes consultadas