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Magia · Judaica, cristã e islâmica

Ciência das letras e talismãs islâmicos

A tradição islâmica dos nomes divinos, das letras do alfabeto árabe e dos quadrados mágicos, usados em amuletos de proteção. Convive com uma forte condenação religiosa da feitiçaria.

No islã, a feitiçaria (sihr) é condenada como um pecado grave. Muitos muçulmanos aceitam apenas a ruqya, a recitação do Corão pedindo cura e proteção, e rejeitam talismãs. Esta página descreve uma tradição histórica, sem tomar partido.

Letras que são forças

No mundo islâmico, como no judaico, cada letra do alfabeto tem um valor numérico. A partir disso se desenvolveu a ʿilm al-ḥurūf, a ciência das letras: o estudo das qualidades das letras e dos nomes, sobretudo dos 99 belos nomes de Deus.

O autor mais associado a essa tradição é al-Buni, que viveu no século XIII. O livro atribuído a ele, o Shams al-Maʿārif, “o Sol dos conhecimentos”, reúne quadrados mágicos, combinações de letras e orações, e foi copiado e consultado durante séculos, do Marrocos à Indonésia.

Talismãs de proteção

Na prática, a tradição produziu sobretudo amuletos: papéis ou placas com versículos do Corão, nomes divinos e quadrados mágicos (wafq), guardados em estojos que se usam no pescoço ou se penduram em casa. Também existem taças de cura, com versículos gravados: a pessoa bebia a água que tinha ficado nelas.

Entre a devoção e a condenação

A religião islâmica condena a feitiçaria (sihr) com severidade. Ao mesmo tempo, aceita a ruqya, a recitação do Corão para curar e proteger. A fronteira entre uma coisa e outra sempre foi discutida: para alguns estudiosos, os talismãs com versículos são legítimos; para outros, são superstição. Essa tensão faz parte da história desta tradição.

Conceitos-chave

  • ʿIlm al-ḥurūfA "ciência das letras": cada letra árabe tem um valor numérico e uma qualidade, como na gematria hebraica.
  • WafqO quadrado mágico, preenchido com números ou letras, usado em amuletos.
  • Os 99 nomesOs belos nomes de Deus, recitados em oração e usados na composição dos talismãs.
  • JinnSeres feitos de fogo sem fumaça, citados no Corão, que podem ajudar ou perturbar as pessoas.

Práticas

  • Amuletos com versículos do Corão, nomes divinos e quadrados mágicos, guardados em pequenos estojos de couro ou metal.
  • Taças de cura gravadas com versículos: bebia-se a água colocada nelas.
  • A ruqya, recitação de versículos sobre o doente, aceita pela maioria dos estudiosos.

Mitos e equívocos

  • A mão de Fátima, ou hamsa, é um amuleto popular em vários povos do Mediterrâneo, inclusive entre judeus, e não pertence só ao islã.

Linha do tempo

  1. séc. IX a XTextos atribuídos a Jabir ibn Hayyan desenvolvem a ideia de equilíbrio entre as letras e as substâncias.
  2. séc. XIIIMorre al-Buni, a quem se atribui o Shams al-Maʿārif, o mais famoso livro de talismãs do mundo islâmico.
  3. séc. XIVO historiador Ibn Khaldun descreve e critica a ciência das letras no seu grande livro de introdução à história.

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Fontes consultadas